terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O príncipe e o espectro


O príncipe e o espectro

Havia, num país muito distante, um rei muito poderoso dono de toda a região. Esse rei tinha um filho que apesar de ser o herdeiro não era preguiçoso e gostava de realizar tarefas que deveriam ser feitas por seus súditos. O príncipe era sonhador como todos os jovens o são. Entre os seus sonhos estava o de encontrar uma princesa, casar e ter filhos: um ou dois, quem sabe?
 Um dia ao passear pelo reino vizinho conheceu uma princesa linda. Seu coração se apaixonou e começou a amá-la. Ela era admirável, bela e inteligente. Marcaram o casamento e o rei deu grande festa de bodas. Para completar a felicidade do casal nasceram os filhos que eles tanto almejavam: um, dois, mas não ficou por aí. Veio o terceiro, depois o quarto. Como o príncipe era diligente, conseguiu fazer prosperar o que o pai havia lhe dado como presente de casamento. Os filhos, lindos e inteligentes lhes proporcionavam muitas alegrias. O príncipe se sentia realizado e assim viveram felizes para sempre como terminam as histórias de príncipes e princesas. 
Não, meus amiguinhos, não foi assim que terminou essa história. Eu vou contar pra vocês o que foi que aconteceu: Eles estavam tão felizes. As árvores do bosque, de onde se tirou a madeira para a construção do palácio, pareciam saudá-los, os pássaros soltavam cantos belíssimos, o sol brilhava com mais fulgor e até a lua era mais resplandecente a cada vez que eles saíam a passear. Mas em um dia cinzento, de nuvens bem escuras um monstro terrível, raptou a sua amada e o príncipe sem saber o que fazer ficou desolado, pois esse monstro tinha fama de invencível e aqueles que tentavam se aproximar eram devorados por ele. E o príncipe chorou amargamente o desaparecimento de sua querida. Só não desistiu de viver porque os frutos desse belo amor revigoravam as suas forças, dia a dia.
No entanto o príncipe não sabia que era apenas o espectro do monstro que lhe roubara a felicidade. Sim, porque aquele monstro cruel já havia sido derrotado por um príncipe filho de um Rei, dono de um reino maior que o de seu pai e que o enfrentara com valentia e audácia. E, como muitas pessoas não sabiam disso, o espectro do monstro aparecia e causava a dor da separação. E como naquele Grande Reino as coisas só se sucedem no tempo certo, o Rei permitiu que o espectro do monstro continuasse a raptar as pessoas até que no tempo determinado Ele intervenha e o lance num profundo abismo de onde jamais sairá.
Voltemos ao desditoso príncipe. Cada dia que se passava, apesar da dor que sentia, recobrava as forças e prosseguia cuidando dos futuros herdeiros. O seu coração ferido e sufocado nunca mais experimentou a alegria de amar e ser amado.
Ah! Havia outra coisa que talvez ele não soubesse: é que o Rei, do Seu trono, o contemplava, ajudava e enviava pessoas para ajudá-lo. Algumas sinceras, outras interessadas no seu palácio, outras equivocadas e ainda  outras sem nenhum interesse...
O tempo foi passando e a lembrança da linda princesa, embora tênue, permaneceu em seu coração. E ele tornou-se tão sensível como uma peça de cristal quebrado que se desfaz em cacos, quais lágrimas brilhantes.
Mas um dia o espectro também o alcançará, pois ainda não chegou o tempo determinado pelo Rei quando esse tirano não mais será.  E o Grande Rei receberá em seu reino a todos os que foram feridos pelo cutelo fatal, mas confiaram que o Filho do Rei, o príncipe dos príncipes que venceu o grande monstro - a morte - por preço de sangue, lhes dará a vida eterna.
Então... já não existirá nem a lembrança da  dor, nem as lágrimas.

                                                                                                    Sonia Correia.





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