terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Aquela menina


                                              
           Quem é aquela menina sentada ao lado da porta de acesso de biblioteca? Se olharmos de longe é apenas uma menina educada e que sorri para todos. Espera! Para o filme, volta a imagem... Aquela menina tem um nome, um sorriso, uma história. Seu sorriso de bom dia muitas vezes é alegre, natural, mas em alguns dias, mesmo ainda bonito, mesmo alegre, esconde as suas tristezas, suas angústias, suas dores. Aquela menina com olhar meigo, de olhos pretos como jabuticabas maduras, quando acuada se transforma em leoa e aqueles olhos sensíveis se transformam em fortes armas de ataque que se defendem. É... Aquela menina na porta tem uma história, uma vida que se escreve em capítulos diários de luta, superação e conquistas.
           Quando aquela menina chega a sua casa e joga as roupas e pastas para os lados, no silêncio do seu quarto se transforma em mulher que tem muitos sonhos, mas que só serão sonhados depois daquela gostosa soneca. Bobinha,ela. Na gostosa soneca é que veem os sonhos verdadeiros. Neles ela voa, viaja e se realiza, para depois no outro dia, bem cedo, de novo ela dando bom dia na porta da biblioteca. É... Essa menina é aquela menina que eu poderia ter passado sem voltar, o filme.
                                                                       Luiz Cláudio Matias de Souza

O príncipe e o espectro


O príncipe e o espectro

Havia, num país muito distante, um rei muito poderoso dono de toda a região. Esse rei tinha um filho que apesar de ser o herdeiro não era preguiçoso e gostava de realizar tarefas que deveriam ser feitas por seus súditos. O príncipe era sonhador como todos os jovens o são. Entre os seus sonhos estava o de encontrar uma princesa, casar e ter filhos: um ou dois, quem sabe?
 Um dia ao passear pelo reino vizinho conheceu uma princesa linda. Seu coração se apaixonou e começou a amá-la. Ela era admirável, bela e inteligente. Marcaram o casamento e o rei deu grande festa de bodas. Para completar a felicidade do casal nasceram os filhos que eles tanto almejavam: um, dois, mas não ficou por aí. Veio o terceiro, depois o quarto. Como o príncipe era diligente, conseguiu fazer prosperar o que o pai havia lhe dado como presente de casamento. Os filhos, lindos e inteligentes lhes proporcionavam muitas alegrias. O príncipe se sentia realizado e assim viveram felizes para sempre como terminam as histórias de príncipes e princesas. 
Não, meus amiguinhos, não foi assim que terminou essa história. Eu vou contar pra vocês o que foi que aconteceu: Eles estavam tão felizes. As árvores do bosque, de onde se tirou a madeira para a construção do palácio, pareciam saudá-los, os pássaros soltavam cantos belíssimos, o sol brilhava com mais fulgor e até a lua era mais resplandecente a cada vez que eles saíam a passear. Mas em um dia cinzento, de nuvens bem escuras um monstro terrível, raptou a sua amada e o príncipe sem saber o que fazer ficou desolado, pois esse monstro tinha fama de invencível e aqueles que tentavam se aproximar eram devorados por ele. E o príncipe chorou amargamente o desaparecimento de sua querida. Só não desistiu de viver porque os frutos desse belo amor revigoravam as suas forças, dia a dia.
No entanto o príncipe não sabia que era apenas o espectro do monstro que lhe roubara a felicidade. Sim, porque aquele monstro cruel já havia sido derrotado por um príncipe filho de um Rei, dono de um reino maior que o de seu pai e que o enfrentara com valentia e audácia. E, como muitas pessoas não sabiam disso, o espectro do monstro aparecia e causava a dor da separação. E como naquele Grande Reino as coisas só se sucedem no tempo certo, o Rei permitiu que o espectro do monstro continuasse a raptar as pessoas até que no tempo determinado Ele intervenha e o lance num profundo abismo de onde jamais sairá.
Voltemos ao desditoso príncipe. Cada dia que se passava, apesar da dor que sentia, recobrava as forças e prosseguia cuidando dos futuros herdeiros. O seu coração ferido e sufocado nunca mais experimentou a alegria de amar e ser amado.
Ah! Havia outra coisa que talvez ele não soubesse: é que o Rei, do Seu trono, o contemplava, ajudava e enviava pessoas para ajudá-lo. Algumas sinceras, outras interessadas no seu palácio, outras equivocadas e ainda  outras sem nenhum interesse...
O tempo foi passando e a lembrança da linda princesa, embora tênue, permaneceu em seu coração. E ele tornou-se tão sensível como uma peça de cristal quebrado que se desfaz em cacos, quais lágrimas brilhantes.
Mas um dia o espectro também o alcançará, pois ainda não chegou o tempo determinado pelo Rei quando esse tirano não mais será.  E o Grande Rei receberá em seu reino a todos os que foram feridos pelo cutelo fatal, mas confiaram que o Filho do Rei, o príncipe dos príncipes que venceu o grande monstro - a morte - por preço de sangue, lhes dará a vida eterna.
Então... já não existirá nem a lembrança da  dor, nem as lágrimas.

                                                                                                    Sonia Correia.





Amor...ontem, hoje e sempre.


O relacionamento entre homem e mulher é a tônica da literatura mundial em todas as épocas.Desde o Trovadorismo em que o homem demonstrava uma quase veneração por "mia senhor" e expressava a sua dor nas cantigas de amor até nos romances rotativos da pós-modernidade os corações se envolvem em fortes emoções.
Algumas histórias de amor tornaram-se marcos literários de geração em geração. É o caso de Romeu e Julieta, de Shakespeare , que aina hoje emocionam até às lágrimas os amantes ou simpatizantes do teatro e do cinema..
E o que diremos de "Amor de perdição" de Camilo Castelo Branco, cujo enredo, seguindo as características do Romantismo, caminha para um desfecho próprio desse momento literário: sem a  possibilidade de verem o seu amor concretizado, veem na morte a solução para esse impasse 

Outro elemento das tramas amorosas é o amor não correspondido que fomenta o ciúme e induz ao preterido ao desejo de vingança e ele lança mão de todas as armas para prejudicar ao que o despreza.
Não podemos deixar de citar os romance televisivo, o das novelas. Nele a troca fácil de parceiro dá a entender que a felicidade pode transferir indiscriminadamente o objeto do amor sem nenhuma consequência. O casal se separa e encontra no próximo amante o que lhe faltava até a próxima crise de identidade. Isso não corresponde a realidade, embora se busque uma verossimilhança.
Em todas as eras, em todos os lugares, credo ou posição social, homens e mulheres parecem  destinados  a esse belo sentimento que segundo o poeta Vinicius de Morais, pode se apagado posto que é chama, mas deve ser eterno enquanto dure. E assim sempre haverá apaixonados em buscas das benesses do amor. .